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INOVAÇÃO - 21/05/2012

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Emília Silberstein/UnB Agência
 

Professor conta a alunos como quebrou sigilo de urna eletrônica

Diego Aranha detalhou sua experiência em testes promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral em março deste ano
Daniela Gonçalves - Da Secretaria de Comunicação da UnB



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Em testes realizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), equipe da Universidade de Brasília foi a única a quebrar os códigos de segurança das urnas eletrônicas que serão utilizadas nas próximas eleições, em outubro de 2012. O episódio teve ampla repercussão na mídia nacional e reacendeu o debate sobre a segurança do voto secreto. Em palestra na Reitoria nesta segunda-feira, 21 de maio, o professor Diego Aranha, do Departamento de Ciência da Computação, que coordenou a equipe da UnB, contou aos alunos como se deu esse processo.

Diego ficou sabendo da chamada pública lançada pelo Tribunal Superior Eleitoral por meio do professor de Ciências da Computação Marcelo Ladeira, de quem foi aluno. “Os resultados obtidos foram fruto de uma conjunção de perfis: um teórico, dois especialistas da unidade de Operação e Segurança do Centro de Informática e outro em sistema operacional Linux”, apontou Marcelo.

Durante a fase de preparação, entre os dias 6 e 8 de março, as nove equipes participantes se alternaram no acesso ao código fonte, que é a versão legível do software da urna. “Nos três dias, tivemos cinco horas de acesso ao todo. Ao final da primeira hora, a equipe formulou a hipótese de que o RDV (Registro Digital do Voto) não foi programado e implementado de forma segura”, disse Diego, que coordenou a equipe formada por Filipe Scarel, Marcelo Karam e André de Miranda, todos do Centro de Informática da UnB. O RDV é um arquivo gerado pelo próprio software da urna, que armazena os votos fora da ordem em que foram computados.

Este sistema substitui o voto impresso desde 2002, quando eles foram abolidos em razão de problemas práticos. “Apesar de identificarmos outras possíveis vulnerabilidades, resolvemos concentrar nossos esforços e tempo na hipótese relacionada ao RDV. Descobrimos, então, que a seqüência gerada por ele não era verdadeiramente aleatória”, explica.

Assim, na fase de testes, que se estendeu do dia 20 a 22 de março, os técnicos conseguiram restabelecer a ordem em que os votos foram inseridos. Diego argumenta que essa informação abre a possibilidade de quebra de sigilo. “De posse do local e horário de votação, recupera-se um voto específico. No caso de pessoas públicas, é comum encontrar essas informações divulgadas na imprensa”, explicou. Além disso, este reordenamento abriria caminho para a prática que Diego denominou “voto de cabresto digital”, em referência ao sistema tradicional de compra de votos característico do coronelismo.

Apesar de não atingir completamente nenhum dos dois objetivos
principais estabelecidos pelo edital do teste, isto é, violar o
anonimato ou a integridade de uma votação, a metodologia de ataque
desenvolvida pelos pesquisadores da UnB não deixa vestígios e
questiona aquela que é a única proteção do sigilo do voto. No dia 29, houve uma premiação simbólica em que a equipe da UnB foi agraciada com o primeiro lugar.  

O TSE argumentou que os resultados alcançados pela equipe da UnB só foram possíveis em razão da abertura do código fonte. “O TSE argumenta que a urna é segura porque ninguém de fora conhece seus mecanismos de funcionamento. Mas o inimigo conhece o sistema”, disse Diego. “Me ofereci a apresentar essa mesma palestra para a equipe de desenvolvimento do TSE para que eles entendam como funciona a mente do atacante”, disse. Apesar de acolher favoravelmente a proposta, até agora nenhum acordo foi estabelecido.
 
A estudante do 4º semestre de Ciência da Comutação Jaqueline Couto, 21 anos, decidiu ir à palestra após receber a notícia da premiação da equipe da UnB pela televisão. “Como pesquisadores de uma universidade federal, nada mais justo do que eles contribuírem para o aperfeiçoamento de um aparato que tem valor para todo o país. Além disso, este teste serve como uma fiscalização do trabalho realizado pelo governo”, avalia.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: Secom UnB. Fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

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