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UNB E SOCIEDADE - 04/06/2009

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Pesquisadores indígenas se reúnem na UnB

Mais de 700 acadêmicos estarão no 1º Congresso Nacional de Pesquisadores Indígenas, em julho
Leonardo Echeverria - Da Secretaria de Comunicação da UnB



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O sociólogo Boaventura de Sousa Santos falou na UnB nesta quinta-feira, 4 de junho, sobre seus estudos acerca da Sociologia das Emergências, em que as culturas nascidas no Hemisfério Sul assumem papel preponderante nas transformações sociais.

Em julho, o campus Darcy Ribeiro também sediará o 1º Congresso Acadêmico de Pesquisadores Indígenas, uma reunião onde representantes dos povos tradicionais do Brasil vão debater novos caminhos para a construção do saber. Conhecimentos tradicionais e ciência acadêmica serão o foco do encontro que vai reunir 700 pesquisadores de origem indígena, entre os dias 14 e 17 de julho.

Sidney Monzila, de 27 anos, é um deles. Bacharel em Direito desde 2007, ele se prepara para a próxima seleção do curso de especialização em Desenvolvimento Sustentável e Indigenismo na UnB. Monzila já trabalha na área, como coordenador do Observatório dos Direitos Indígenas, projeto social que recebe denúncias das comunidades e faz articulações no Congresso Nacional.

O rapaz é da tribo Umutina, uma aldeia de 450 pessoas, no município de Barra do Bugres, em Mato Grosso. Aos 12 anos, foi à cidade terminar o ensino fundamental. Quando a faculdade Unicen de Cuiabá passou a oferecer bolsas de estudo para indígenas, Sidney e seu primo deixaram a tribo e aproveitaram a oportunidade. Hoje, ele já pensa na sua área de mestrado: Direito Ambiental.   

Mutaí Matos, 30 anos, estuda Administração na UnB e também pretende usar o que aprendeu para ajudar sua comunidade no município de Coroa Vermelha, na Bahia. “Antes mesmo de pensar no mestrado, eu quero voltar para a aldeia e aplicar meus conhecimentos lá mesmo”, conta o índio pataxó. Mutaí conseguiu sua vaga a UnB por meio do “vestibulíndio”, como é conhecido o Vestibular Indígena.

No Brasil, existem atualmente 420 mil índios vivendo em aldeias, além de outros 300 mil que moram nas cidades. “O maior benefício de termos indígenas cursando uma graduação é que teremos mais ferramentas para conseguirmos a autonomia das comunidades, de forma que eles possam gerir seu próprio patrimônio, seja ele territorial ou cultural”, afirma Vilmar Guarany, secretário-executivo  do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (CINEP), ONG que organiza o Congresso de Pesquisadores Indígenas junto com a UnB.

Segundo Vilmar, as tribos nativas do Brasil têm muito a oferecer à academia. Os conhecimentos tradicionais dos índios podem trazer novas idéias nas áreas de Biologia, Biodiversidade, Agronomia, remédios e até cosméticos. No Direito, um dos objetivos é criar uma jurisdição indígena, onde a comunidade possa criar e administrar o seu próprio sistema de leis, de acordo com seu sistema de valores.

O Congresso dos Pesquisadores Indígenas acontece simultaneamente ao 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), também na UnB. 

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: Secom UnB. Fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

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